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quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

O por do sol, a rotina e a lembrança.

Quando eu tinha cinco anos de idade, ele estava desempregado e eu dormia com ela aqui e acolá esperando um lugar pra morar. Num ano qualquer, ele conseguiu emprego e foi onde cresci. Um bairro diferenciado pela beleza e evidente na disparidade. Ele tinha pouco estudo assim como ela e não restava a nós três servir aos outros. No entanto, naquele cubículo cresceu uma família muito feliz. Eu lembro que tinha dois andares e apenas um teto, isso mesmo!!! Só quem viu pode entender. Ele acordava bem cedinho e ela nunca comia de manhã, dizia que lhe fazia mal. No almoço estávamos todos juntos e logo depois ele ia dormir. Dizia que era pra descansar o almoço. Em alguns dias ela ia trabalhar fora, em outros, passava a tarde fazendo o que mais gostava. E eu? Eu ia me divertir. Passava a tarde na praia, aplaudia o por do sol, tomava mate e jogava altinho. No mar, passava umas quatro horas lutando contra as ondas. Isso me rendeu o título entre meus amigos de pessoa que pegava onda no grupo. Ao anoitecer, eu chegava em casa e lá estava ele. Me recebia com um abraço e pedia um golezinho de café. Ela ficava no sofá e ninguém podia trocar de canal até que o noticiário acabasse. No fim do dia, novamente nos reuníamos e jantávamos sempre falando sobre meu colégio ou alguma fofoca da rua.
Como são boas as lembranças. Mas se são lembranças, elas não voltam nunca mais. Nos basta escrever isso para que esteja eternizado, assim como uma fotografia de um momento qualquer daquela vida cotidiana e rotineira.



Um comentário:

  1. Marileide Mendnça27 de janeiro de 2011 00:35

    Sabe toda nossa vida parece pouco quando descobrimos que ela é feita de momentos, por que até então acreditava-mos que ela estava sendo escrita passo a passo para ser curtida depois...Mas é quando passamos a entender que cada momento é unico,e que só pode ser sentido uma vez....É que passamos a viver verdadeiramente a vida, é quando aprendemos a não ter pressa de viver que vivemos.
    E só se sabe que se aprendeu a viver,quando se tem lembranças...Por que tudo que é lembrado foi vivido intensamente.
    Gabriel adoro ler oq vc escreve.....Pq tudo que escreve tem algum sentido pra mim...Parabens.

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